| Da
frigideira para o fogo. Foi o que me disseram quando resolvi trocar
de profissão.
Depois de uns 20 anos de aulas de História, muitos deles na USP,
sucumbi ao
desejo de virar jornalista. Isto é mais difícil quando
você tem mais de 40 anos
e dedicou parte de sua vida se especializando em uma determinada área
do
conhecimento. O desafio foi maior do que o meu bom senso. Afinal, depois
de
dois cursos de graduação, também cursei Direito,
uma pós, um mestrado e uma
passagem pelo Curso de Japonês da USP, teria que voltar ao banco
como um aluno
qualquer.
Foi uma experiência
extraordinária mudar de posição na sala
de aula. Sair da frente e me misturar com os alunos,
muitos dos quais meus ex-alunos e agora meus colegas na escola de
jornalismo. Voltei ao ambiente universitário com grande prazer
e com humildade fui
assistir aulas de alguns ex-colegas, e de algumas disciplinas que tinha
lecionado em faculdades de jornalismo. O aprendizado humano e acadêmico
foi
enorme. Senti um engrandecimento sentado no meio da turma, fazendo
amizades, voltando aos botecos da porta da faculdade, que há
tanto tempo
tinha deixado de ir, e aprender a fazer jornalismo.
Deixei de falar
e escrever no passado e aprendi a falar e
a escrever com os verbos no presente. Deixei a história e passei
para o
jornalismo. Uma bela mudança. Ao invés de olhar para trás,
iniciei um treino
de olhar o que acontecia a minha volta e o que era e o que não
era notícia para
divulgá-la. Esta é a missão do jornalista : contar
para uma parte da sociedade
o que a outra parte está fazendo. Uma delícia. Os meios
de comunicação estão
cada vez mais dinâmicos, e um mundo novo se abre com uma nova
estrada chamada
internet que, em breve, vai abrigar uma confluência de mídias
e ninguém vai
saber se o que aparece na tela do computador é tevê, rádio
ou texto eletrônico.
Não importa. O que importa é que tudo é comandado
pela
total interatividade e o fluir do conhecimento de um lado para o outro.
É o
mundo do bit, tudo o que puder se tornar um bit vai navegar pelo mundo
e em
breve pelo universo.
A vida universitária
é a oportunidade ímpar de crescer e se
relacionar com seres humanos, descobrir um mundo novo que se renova
todo dia e
ele vai ter a forma que nós quisermos. E para que isto aconteça
é necessário
apenas a nossa participação. Você topa?
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